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Sobre a mostra

“Conta-se que a vila nasceu em 1549, quando jesuítas – não se sabe exatamente quantos – chegaram ao local ao salvarem-se de um naufrágio.Há poucos detalhes sobre a fundação e os primeiros tempos da vila, mas sabe-se que foi batizada pelos padres com o nome de Santa Cruz da Bela Vista e que, por sua localização estratégica, margeando rio e mar, acabou tendo uma participação importante no comércio da região, baseado especialmente no coco em seus derivados.

Mas o avanço da maré, com sua instabilidade comum nos encontros entre rios e mares, fez desaparecer, na década de 1930, uma avenida inteira onde estavam localizados os armazéns e algumas mansões de comerciantes. A partir daí a vila teria perdido sua importância comercial e se transformado, aos poucos, em moradia de pescadores e local de veraneio.”

(Texto de Sylvia Leite, 20/06/2019, disponível aqui.)

 

A mostra “Santa Cruz da Bela Vista” traz imagens feitas por Lenio Braga entre, provavelmente, o final dos anos 1950 e início dos ano 1960 no Mangue Seco – BA. As imagens estão separadas em dois blocos: um com imagens da vila e outro com imagens da duna, que Lenio registrou como “deserto” nos envelopes de negativos que os continham.

Alguns depoimentos familiares contam que Lenio Braga ficou bastante impressionado com o lugar e, certamente por isso, fez tantas fotos. Até o momento, foram catalogados e digitalizados 94 negativos referentes ao Mangue Seco. Lenio realizava, muitas vezes, as próprias ampliações de suas fotografias, mas não foi localizada, até a presente data, nenhuma fotografia ampliada relativa a estes negativos. Sendo assim, imaginamos que a maior parte  do material que está sendo mostrado aqui esteve guardada por mais de 50 anos na forma de negativos desde a sua revelação, podendo ser considerada praticamente inédita.

Todo o material foi trabalhado no âmbito de projetos de pesquisa e extensão da Universidade Federal de Sergipe sob a coordenação do Prof. Dr. Marcelo Brazil. Mais detalhes sobre as pesquisas podem ser consultados aqui.

O tratamento das fotos foi realizado no aplicativo GIMP 2.10 e abaixo estão algumas amostras da quantidade de sujeira e riscos que os negativos revelam após a digitalização em alta definição.

Clique abaixo para visualizar e utilize as setas para navegar entre as imagens. Tecle Esc para retornar

 

A mostra traz ainda uma seção com novas imagens que integrarão o acervo virtual do site.

Esta mostra é dedicada à memória de Wadih Tuma que, além de ter sido um grande amigo de Lenio, era um amante e incentivador das artes.

 

A curadoria

 

 

 

 

A vila

Para navegar nas imagens, existem três opções:

1 – Apenas role a página para baixo

2 – Clique em cima de cada imagem e será possível vê-la de forma individual. Utilize CTRL+ para ampliar e CTRL- para reduzir a visualização. Para retornar, volte a página.

3 – No final desta página existe uma galeria onde é possível passar de uma imagem à outra com  as setas ⇐ e ⇒. Também é possível ampliar e reduzir neste modo de visualização. Para retornar, utilize a tecla Esc.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desenhos

Esses desenhos foram realizados em papel, na sua maioria com a técnica bico de pena. No trabalho de tratamento das imagens, o designer Walter Mariano optou por excluir as assinaturas pois elas poderiam interferir, de certa forma, na apreciação da riqueza de detalhes do traço de Lenio.

Os primeiros são datados de 1969 e foram criados nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro.

Os três de 1965 foram criados através da técnica de gravura em metal.

No final, um retrato da atriz Jurema Penna realizado em 1962 com caneta hidrográfica.

As legendas abaixo de cada desenho apresentam algumas informações individuais.

Existem duas formas de navegar pelas imagens. A primeira é de forma individual: clique sobre cada imagem abaixo e é possível ampliar (CTRL+) e reduzir (Ctrl-) para uma melhor visualização. Volte a página para retornar ao menu.

A segunda é através da galeria que está no final da página, onde é possível rolar as imagens com as setas, para frente e para trás. Utilize a tecla Esc para retornar ao menu.

Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Bico de pena e caneta hidrográfica – Rio de Janeiro – RJ – 1969
Caneta esferográfica – Rio de Janeiro – RJ – 1969
Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Bico de pena – Salvador – BA – 1969
Gravura em metal – Salvador – BA – 1965
Gravura em metal – Salvador – BA – 1965
Gravura em metal – Salvador – BA – 1965
Retrato Jurema Penna – 1962 – Caneta hidrográfica




Ilustrações de livros

Essas ilustrações foram descobertas por Marcelo Brazil durante as pesquisas realizadas na cidade de Salvador, entre os anos de 2013 e 2018. Estão em dois livros: “Bahia de todos os santos e de todos os demônios” de Gimenez Caballero – 1958 e “Onde os espíritos baixam” de Pe. Edvino Augusto Friderichs – 1965 (duas últimas imagens).

Nas ilustrações do livro de Caballero aparecem imagens do Pelourinho, da cidade baixa de Salvador e de alguma figuras características do universo baiano. Nessas imagens ainda se nota a primeira assinatura de Lenio, onde consta apenas seu primeiro nome.

As imagens do livro de Friderichs retratam dois Eguns. Nesse mesmo livro constam diversas imagens de Carybé, amigo próximo de Lenio nos anos 1960.

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Pinturas

Essas foram as pinturas de Lenio que estiveram na mostra presencial realizada na cidade de Salvador – BA em 2018. Apesar de já existirem essas imagens no site (na seção Quadros), aqui elas aparecem com maiores informações.

Existem duas formas de navegar pelas imagens. A primeira é de forma individual: clique sobre cada imagem abaixo e é possível ampliar (CTRL+) e reduzir (Ctrl-) para uma melhor visualização. Volte a página para retornar ao menu.

A segunda é através da galeria que está no final da página, onde é possível rolar as imagens com as setas, para frente e para trás. Utilize a tecla Esc para retornar ao menu.

Faça um passeio virtual pelas pinturas da exposição:

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Lenio conheceu Frieda Gutmann ainda criança por sua amizade com o pai dela, que tinha uma oficina próximo ao atelier do artista. Existem muitas fotografias de Frieda criança e jovem feitas por Lenio e essa pintura de 1961 a retrata no início da adolescência.

Retrato de Frieda Gutmann – óleo sobre madeira – 75 X 62 cm – 1961
Pássaro vermelho – óleo sobre madeira – 55 X 35 cm – s/d
A Dama das Rosas – óleo sobre tela – 100 X 80cm – 1972
Sem título – óleo sobre madeira – 93 X 63 cm – 1972

O quadro abaixo faz parte da última série de pinturas realizada por Lenio, intitulada Cântico dos cânticos.

Cânticos dos cânticos – óleo sobre madeira – 93 X 67 cm – 1972

O quadro A Curra de 1967 (abaixo) esteve exposto na IX Bienal de Arte de São Paulo (1967), na 3ª Bienal da Bahia (2014) e na mostra A Arte de Lenio Braga (2018). É uma obra bastante representativa do que o pesquisador Dilson Midlej tratou como apropriação em sua tese de doutorado. Nesse caso, Lenio se apropriou da imagem de uma obra de Rubens, O rapto das filhas de Leucipo, para fazer uma crítica à ditadura militar da época.

A curra – Óleo sobre madeira – 1,50 X 1,50 m – 1967


 

O violão de Jurema

Numa visita a São Paulo, Lenio desenhou o violão de sua sobrinha Jurema Brasil Xavier. Além de diversos personagens que o artista gostava de desenhar, na extremidade do tampo está o seguinte texto:

“O pintor Lenio Braga da cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos, estando de viagem por São Paulo, escreveu estes desenhos para sua sobrinha Jurema no ano da graça de 1964, primavera, dando graças aos céus por ser isto um violão e não um piano de cauda.”

 

Painel do Edifício Juvino Oliveira – Itapetinga – BA

Nos fundos do Edifício Juvino Oliveira, no centro de Itapetinga – BA, existe um painel de desenhos de Lenio, talvez uma de suas obras menos conhecidas. Segundo relato do Sr. Norival, filho do Sr. Juvino, durante a construção da Capela do Menino Jesus, Lenio fez o painel no edifício recém construído. A obra não tem data nem assinatura e parece um pouco inacabada no lado que fica voltado para a rua. Está muito mal cuidada e vem sofrendo diversas agressões ao longo do tempo.

Abaixo, algumas imagens do descaso e da iminente destruição da obra.

 

Quadros